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Palavra
É a minha primeira linguagem e sempre foi mais meu refúgio que um ofício: mergulhada entre dezenas de cadernos, diários, agendas, blocos de anotações, onde conjecturo minhas ordens e desordens. Devaneios e lapsos por demais lúcidos. Me encontro no encadeamento de palavras, sejam elas poéticas ou ensaísticas. Muito mais do que contar fatos, eu gosto da ficção. Acredito profundamente na ficção como estratégia para alcançarmos o que nos é essencial à alma. Não percebo o elã fugidio que nos faz sensíveis se ancorar nas durezas dogmáticas, nos postulados enrijecidos das verdades estabelecidas de fora pra dentro. Ao contrário, quanto mais dirijo a escuta pra dentro, mais percebo movimento, espelhando a natureza diversa e dialógica, relacional. É através dessa escuta, traduzida em palavras, que componho as narrativas. As vezes elas são públicas, sarais, publicações, grupos de estudos. As vezes elas são íntimas e por demais minhas.

Imagem
É onde treino o olhar sensível. É como estudo. Nas coleções de fotolivros na minha estante, de várias e vários artistas. É perceber as lentes delas e deles e, através desse diálogo, olhar com as minhas lentes para o entorno. Amparada ou não por algum aparato que pause o tempo. A fotografia existe para mim como uma meditação. Um tempo silencioso dedicado à observação. Ela vem quando eu me apaixono. Onde encontro a beleza que me abre as com brilho as pupilas. Ao longo de minha arte-vida talvez ela tenha sido dos maiores templos de aprendizado. Não só as imagens produzidas como os discursos através delas elaborados. Meus encontros com a ação fotográfica está mais espaçada mas, sempre recorro a ela como forma de me emocionar.

Voz
É onde ponho o corpo a prova, na vazão da experiência. É escutar, nos ocos da minha estrutura física como vibra, ocupa, reverbera, todo o ar. É como escrevo meu aprendizado na alma. Performar, cantar, recitar poesia, atuar. Estudar meus diafragmas, os foles internos. As intenções da fala repousada sobre o ar. Quais partes do corpo vibram ao amor das palavras proferidas. A voz é a experiência do corpo. E é através da experiência que escrevo quem sou.